Como
cristão é impossível que eu não veja
Meu
semelhante padecendo largado à sorte
Sem
lar, sem nome, morrendo de frio e fome,
Nas
ruas, nos guetos com cheiro de morte.
Se
lhe falta trabalho na indústria da seca;
Sobram
vagas na indústria do desemprego,
Onde
o mais fraco é engolido pelo mais forte.
Como
cristão é impossível que eu não ouça
O
clamor que vem das praças e viadutos,
Das
filas de aposentados e das rebeliões,
Da
falta de amor, do excesso de estatutos,
Do
brutal e violento aumento da violência,
Do
não menos violento avanço da ciência,
Que
busca ter sobre a vida poder absoluto.
Como
cristão é impossível que eu não sinta
O
frio e a dor cortante de tanta indiferença,
O
cheiro horrível e asqueroso do abandono,
Misturando
falta de fé e excesso de crenças
Dos
que acreditam ter evoluído do chipanzé;
Da
multidão inerte atrás do sírio de Nazaré,
Cuja
esperança não faz a menor diferença.
Como
cristão é impossível que eu não aja
Contribuindo
para que ocorra a mudança
Tão
necessária e urgente para o presente
Dessa
juventude e o futuro da criança.
Sabendo
que o homem é um ser integral,
Sem
nos esquecermos do fundamental:
Só
Jesus Cristo é a verdadeira esperança.
Como
cristão é impossível que eu não creia
Na
possibilidade de que haja transformação
A
partir do engajamento e da ação de todos
Em
um compromisso mútuo de cooperação.
Crendo
veremos, pela fé, o Deus invisível,
Agindo
e tornando o impossível, possível,
Na
vida de cada um e nos destinos da nação.