terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cordel do Impossível


Como cristão é impossível que eu não veja

Meu semelhante padecendo largado à sorte

Sem lar, sem nome, morrendo de frio e fome,

Nas ruas, nos guetos com cheiro de morte.

Se lhe falta trabalho na indústria da seca;

Sobram vagas na indústria do desemprego,

Onde o mais fraco é engolido pelo mais forte.



Como cristão é impossível que eu não ouça

O clamor que vem das praças e viadutos,

Das filas de aposentados e das rebeliões,

Da falta de amor, do excesso de estatutos,

Do brutal e violento aumento da violência,

Do não menos violento avanço da ciência,

Que busca ter sobre a vida poder absoluto.



Como cristão é impossível que eu não sinta

O frio e a dor cortante de tanta indiferença,

O cheiro horrível e asqueroso do abandono,

Misturando falta de fé e excesso de crenças

Dos que acreditam ter evoluído do chipanzé;

Da multidão inerte atrás do sírio de Nazaré,

Cuja esperança não faz a menor diferença.



Como cristão é impossível que eu não aja

Contribuindo para que ocorra a mudança

Tão necessária e urgente para o presente

Dessa juventude e o futuro da criança.

Sabendo que o homem é um ser integral,

Sem nos esquecermos do fundamental:

Só Jesus Cristo é a verdadeira esperança.



Como cristão é impossível que eu não creia

Na possibilidade de que haja transformação

A partir do engajamento e da ação de todos

Em um compromisso mútuo de cooperação. 

Crendo veremos, pela fé, o Deus invisível,

Agindo e tornando o impossível, possível,

Na vida de cada um e nos destinos da nação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário