Por Benicio Vianna
Textos:
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele”. Provérbios 22.6
INTRODUÇÃO
O apóstolo João retrata no cap. 14 toda a perplexidade dos discípulos ao saberem que Jesus ia deixá-los. A mesma perplexidade de muitas famílias que, diante de Provérbios 22.6, e após todos os esforços envidados, vêem os seus filhos afastando-se igreja.
A pergunta de Tomé: “como saber o caminho?” Tem a mesma angústia da pergunta de tantos pais ao verem seus filhos fora da igreja, longe do Caminho que leva a Deus:
Onde erramos?
Quando olhamos e sentimos tamanha decadência da sociedade – drogas, violência, corrupção, casamento homossexual - tudo isso, diante de uma igreja que deveria ser o sal da terra e a luz do mundo. Não tem como não admitirmos:
A religião falhou.
A igreja de Cristo não falhou. Não falha e nunca falhará.
“Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Mateus 16.18
Aprendemos que religião significa religar. A boa religião seria aquela que busca religar o homem a Deus. Mas seria esse o sentido e o significado da palavra religião?
No blog “Palavras e Origens”, que é também o título do seu livro, o professor Gabriel Perissé, especialista em etimologia, apresenta a palavra religião da seguinte forma:
A etimologia popular atribui a origem da palavra "religião" a religare, do latim: a religião religaria o homem a Deus. Uma ideia bonita... mas sem fundamento. Etimologia falsa, embora cheia de boas intenções.
No latim, religio designava "respeito", "reverência". A palavra deriva de relegare, em que re-significa "de novo", e está associado ao verbo legere, que significa "ler", abrigando o sentido de "tomar com atenção".
Em sua origem latina, "religião" não é palavra religiosa, não remete ao transcendente. A religio romana referia-se à atitude de reverência que um cidadão romano tinha pelas instituições do Império.
Portanto, religião não tem nada a ver com o verbo religare. Menos ainda com a ideia de religar a Deus. Religio que é religião refere-se à atitude de adoração ao imperador romano.
De sorte, que a religião se coloca como grande obstáculo entre o homem e Deus, na medida em que o religioso necessita sempre de algo aparente (o homem ou sua imagem) para viabilizar a sua adoração. (exemplos: o papa, Buda e líderes evangélicos carismáticos).
Na religião o homem é adorado ou adora o próprio homem, isto é, adora a si mesmo, como afirma Tiago 1.24:
“pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.”
Esse texto faz parte dos argumentos apresentados por Tiago para demonstrar a diferença entre o religioso e o praticante da Palavra de Deus. A prática religiosa está limitada à aparência e o que é aparente também é inconsiste.
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.” Hebreus 11.1
Nesse sentido a religiosidade é desprovida de fé, por isso mesmo, ela é o maior obstáculo entre o homem e Deus. Porque “sem fé é impossível agradar a Deus”. Hb 11.6
E o pior:
Falta ao religioso discernimento das coisas espirituais (Nicodemos):
“Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas?” João 3.10
O religioso se acha santo e apresenta como mérito a santidade conquistada com seus próprios esforços, porém é incapaz de qualquer gesto de renuncia. Caso daquele homem rico e extremamente reliogioso que procurou a Jesus, mas a conversa terminou assim:
“Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo.” Lucas 18.22 e 23
Os religiosos exigem que Jesus prove através de milagres que ele é Deus e tem poder:
“Como afluíssem as multidões, passou Jesus a dizer: Esta é geração perversa! Pede sinal; mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas.” Lucas 11.29
Uma das características da religião, independente de placa de igreja, é que ela parece padecer de uma espécie de esgotamento da fé: quanto mais sinais e milagres ela vê ou recebe, mais ela precisa de milagres, e ainda assim, não crê verdadeiramente:
“E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele,” João 12.37
Até porque milagres não produzem fé. O que produz fé é a Palavra de Deus.
“De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”. Romanos 10.17
O escritor Phillip Yancey tem um livro, cujo título é: “Decepcionado com Deus”. Eu diria: decepcionado com a religião. Deus jamais decepcionou a qualquer que em Jesus busca o maior de todos os milagres: A salvação.
O único caminho que religa o Homem a Deus, por meio da reconsiliação da critura com o seu Criador, é Jesus.